A panfobia enrustida dentro da comunidade bissexual

Bandeira bissexual e bandeira pansexual.

Queria eu, que este foi um caso isolado, de alguma organização especifica, porém não é. Diariamente a comunidade pansexual sofre com ataques e invalidações vindas de diversas pessoas dentro da comunidade LGBTQIAPN+ no geral, porém a concentração maior, infelizmente, vem da comunidade bissexual. Esse movimento descrito como “anti-pan” circula principalmente em redes-sociais apoiado em discursos panfobicos e patológicos.

Deixo aqui bem claro, como já explicitado inúmeras vezes que A BISSEXUALIDADE NÃO É PANFOBICA, e sim existem pessoas bissexuais panfobicas.

O caso recentemente de panfobia que será abordado é em torno de Ian Lawrence-Tourinho diretor da AIB (American Institute of Bisexuality // Instituto Americano da Bissexualidade) o Bi.org.

No fim de mês passado, Mês da visibilidade e orgulho Bissexual, através de redes social que representam o site da organização, Bi.org, foi compartilhado um artigo sobre David Rose, o personagem fictício de Schitt’s Creek interpretado pelo co-criador e estrela do programa, Dan Levy. No artigo, listam David como um personagem bissexual e, em um tweet que o acompanha, consideram-no “um de nossos personagens bissexuais favoritos”.

Várias pessoas apontaram que o personagem é identificado como pansexual, tanto no programa quanto pelo próprio Levy em várias ocasiões desde a estreia do programa em 2015.

Ian Lawrence-Tourinho diretor da AIB respondeu com vários posicionamentos sarcásticos e panfobicos, removendo e bloqueando qualquer comentário em sua conta do Twitter que apontasse informações sobre a sexualidade do personagem canonicamente provada.

A conta do Twitter do Bi.org por Ian prosseguiu afirmando que: “Qualquer pessoa cuja atração não se limite a um sexo se encaixa na ‘definição científica’ de bissexualidade. É anticientífico e bifóbico dizer o contrário. ”

Isso leva o leitor à conclusão de que quem é pansexual na verdade seria um bissexual que não está enfatizando politicamente sua identidade, e sim sendo “anticientífico e bifóbico” por não usar o termo bissexual.

Compreensivelmente, pansexuais (e não pan) apontaram isso como posicionamento errôneo, pedindo uma retratação ou explicação mas foram bloqueadas ou tiveram suas respostas ocultas.

Ian, não apenas REAFIRMOU suas crenças em sua própria conta no Twitter, como sugeriu que “a identificação de David como pansexual deveria ser uma evidência da ‘excentricidade’ dele e de sua família.”

“O ponto principal do show é que a família Rose é excêntrica e desligada da realidade”, tuitou. “Bissexualidade significa a mesma coisa desde 1892 e é construída sobre a estrutura inventada pelos primeiros ativistas [LGBT]. A pansexualidade nos deu terapia de conversão. ”

Comentário gerou inúmeras mensagens de repudio contra o diretor e a organização.

AIB reconhece que “a terapia de conversão por razões religiosas existia antes” e que “O uso freudiano de“ pansexualidade ”obviamente não é a forma como as pessoas que hoje se identificam como pansexual usam ou querem dizer a palavra”. No entanto, eles continuam a alegar que, como a pansexualidade (assim como outras sexualidades fluídas) não foi definida naquela “estrutura” baseada na biologia original dos anos 1800, ela não deve existir “cientificamente” e quaisquer identidades fora do bissexual são apenas criações derivadas da terapia de conversão. [DECLARAÇÃO NA INTEGRA]

Depois dessas declarações outras organização bissexuais se posicionaram contra, como a Bisexual Resource Center (BRC), sua presidente Belle Haggett Silverman, disse que as palavras de Ian eram “improdutivas e prejudiciais”

via.: elclosetlgbt.com

Essas declarações só mostram como, nós, pessoas pansexuais recorrentemente somos inválidas e colocadas a prova da existência por uma “luta” que mais parece uma “competição” por “superioridade”. Constantemente vemos bissexuais panfobiques e bifobiques (que se misturando a comunidade e usando sua bandeira como pano para cobrir seus preconceitos) se posicionando contra pansexualidade trazendo discursos de que “surgimos primeiro”, “já existíamos”, “nossa consolidação surgiu muito antes”…

E de fato. Os fatores históricos não mentem, a bissexualidade historicamente possui uma rede de dados e documentos mais solidificados a respeito de sua origem e consolidação. MAS, isso não é justificativa ou poder para “anulação” da pansexualidade, que também carrega sua historia, independentemente de quando surgiu.

Faço das palavras de Holmes, as minhas. Independente da quantidade de ataques, bloqueios ou depreciações des pessoas na comunidade, isso NÃO mudará o que somos. Nossa identidade é exclusivamente nossa, e não para outros definirem. Pessoas pansexuais são reais e válidas. Não importa o quão desconfortável você fique, ou outras pessoas, ou a sociedade em geral… ou ainda, uma organização que alega representar você.

Pansexuais existem!

Matérias:

Ativista Pansexual e demissexual, ilustradora, quadrinista e designer. Pessoa não-binária. https://linktr.ee/LuaMota

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